"Terra e Cinzas", de Atiq Rahimi

Uma ponte, uma ribeira seca numa paisagem desolada, a guarita de uma sentinela de mau humor, uma estrada que se perde no horizonte, um mercador que pensa o mundo, um velho, um rapazinho, e, depois, a espera. Nada ou quase nada se mexe. Estamos no Afeganistão, durante a guerra contra a União Soviética (mas podia ser qualquer outra das que, ao longo dos séculos, têm assolado o país). O velho vai anunciar ao seu filho que trabalha na mina, pai do rapaz, que na sua aldeia toda a gente morreu debaixo de um bombardeamento. O velho fala e pensa: é o inferno das recordações, das esperas, dos remorsos, das conjecturas, das suspeitas… é uma palavra nua que nos diz do sofrimento da solidão, do medo de não ser ouvido.

Atiq Rahimi

Escritor, fotógrafo e cineasta, Atiq Rahimi é um destacado representante da cultura afegã na Europa. Francófilo, ex-aluno do liceu francês de Kabul, em 1984 fugiu muito jovem do seu país para França onde obteve asilo político. Apaixonado pelo cinema, fez estudos na área audiovisual e doutorou-se em cinema na Sorbonne. É autor de vários filmes. Em 2000, em pleno regime dos Talibãs, publicou o seu primeiro livro, Terra e Cinzas (Teorema 2001), que ele próprio adaptou ao cinema. Seguiram-se-lhe As Mil Casas do Sonho e do Terror (Teorema 2004), e Le Retour Imaginaire, 2005.
Pedra-de-Paciência é o seu primeiro livro escrito directamente em francês e conquistou o Prémio Goncourt 2008.

Retirado de http://www.wook.pt

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